quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A MORTE DE MANUEL BANDEIRA


Estava eu na terceira série
quando morreu Manuel Bandeira
e a professora, chamada Dulce,
comunicou-a a toda a classe.

Nada eu sabia desse poeta,
não conhecia sua poesia,
e no entanto, com sua morte,
um pouco eu soube de sua vida.

Em mi’a memória daquele dia,
a professora contou que ele,
poeta idoso, quedou-se ao chão,
depois da queda veio-lhe a morte.

Mas fora enfermo ainda jovem,
tuberculose o acompanhando
por toda a vida, qual uma esposa,
que o impediu de apaixonar-se.

Mesmo co’a chaga dentro de si,
impondo a ele o celibato,
fez-se casado co’a poesia,
gerando a prole do que é poeta.

Nunca esqueci aquela manhã
em que a morte revelou-me a vida
desse poeta e levou-me à obra
que lhe transcende a própria vida.   


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