sábado, 23 de julho de 2016


Naquela casa da minha infância,
acreditei em Papai Noel
e que o Natal era sempre alegre,
que nesse dia dor não havia.

A Páscoa era de chocolate,
Sempre escondido pelo meu pai.
A procurá-lo, eu e os irmãos,
íamos logo ao acordar.

Mesmo a doença de minha mãe,
nunca causou-me inquietação.
Não compreendia o que era a morte
até que ela bateu à porta.

Não sei se a dor amadureceu-me
ou quedar fez-me na inocência.
Sinto somente que eu perdi
os olhos puros que viam o mundo.

Findou-me a infância tão brutalmente,
houve-me o inverso de um aborto
e deste então todo o meu sorriso
sente o sabor de meu próprio sal.


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