domingo, 21 de fevereiro de 2016


                                                  a Dom Adriano Hypólito




Tinha espírito de artista,
a música era a su’arte
e por ela a Deus falava
e de Deus falava ao povo.

Homem de cultura vasta,
dedicava-se à oração,
aprendendo a cada dia
quão providente é Deus.

Escolhido para bispo,
veio a Nova Iguaçu,
onde fez-se servido
do pobre povo daqui.

Cessam as correspondências
com outros cultos artistas.
Findam as composições
e as regências que fazia.

O contato com o povo
de sua querida Baixada
converteram-lhe a vida
e o seu episcopado.

Ele foi bispo dos pobres
e dos marginalizados.
Acolheu os perseguidos,
sem temer por sua vida.

O poder instituído,
feito dura ditadura,
confundiu sua caridade,
comunista lhe chamaram.

Seqüestrado foi então
e longe abandonado
nu como Jesus na Cruz,
o corpo tinto vermelho.

O seu carro explodido
foi em frente ao edifício
da Conferência dos Bispos
como aviso à Igreja.

Tal qual Jesus humilhado,
não deixou Dom Adriano
de continuar sua luta
pelos direitos do povo.

Reergueu-se com mais força,
sem calar a sua voz.
Não se deixou abater
ante a opressão dos fortes.

Vinte anos se passaram
de sua ressurreição
e no entanto ‘inda seu nome
é luzeiro em nossa Igreja.

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